segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Pequeno

Olho para mim mesmo e vejo o quanto sou pequeno. Tão frágil. Às vezes indefeso. Um pequeno ser em busca de respostas, sem nem ao menos saber quais perguntas fazer. Qual minha origem? Para onde vou? Quem sou? Acho que não... Talvez minha inquietação venha de algo bem mais simples: Porque sou tão pequeno? E como me torno um ser grande?

Observei os grandes do universo. Primeiramente, Deus, pai todo poderoso de infinita misericórdia, justo e bom. Resumindo: perfeição. Sinto muito, mas continuo minha busca, porque EU estou muito longe disso. Se optar por Jesus? Sábio, justo e bom. Resumindo novamente: perfeito. Busco deuses da mitologia, de todas as crenças e tudo em vão. Fujo para a umbanda, meus orixás, onde minhas raízes africanas batem forte, mas continuo pequeno. Rastafarianismo, onde descubro que não sou nenhum rei dos reis, nem leão conquistador da tribo de Judá, muito menos chego perto de Selassiê. Que tal Hinduísmo? Já sei que não sou nenhum Brahma e não tenho nenhuma cabeça de elefante nem me chamo Ganesha. Sei que eles são minhas bases, minha fé e minhas crenças, mas estou muito longe de ser um Deus ou ter uma religião com o meu nome. Sei também que trago dentro de mim um Deus, e um pouquinho de tudo isso que eu disse, mas sigo minha busca para entender o que é ser grande sem esmorecer...

Observei os grandes da história do mundo. Estudei-os e admirei-os ao máximo. Quantas virtudes, quanta sabedoria e quanta experiência! Que tal a coragem de Gandhi ou a compaixão de Madre Teresa? Ah, quem me dera ter um pouquinho da inteligência de Einstein e da sabedoria de Confúcio. Imagina como seria bom ter a maturidade de Chico Xavier e um décimo da fé de Paulo de Tarso. A criatividade de Beethoven somado à retórica de Aristóteles. Como eu seria melhor se tivesse a convicção de Giordano Bruno sobre minhas ideias e toda a luz de Francisco de Assis. Cada qual com sua missão. Cada um, realmente, um exemplo! Ter tudo isso me faria melhor? Sem dúvida nenhuma! Mas acho que ainda não é o momento. Hoje, na verdade, eu olho para eles, me inspiro e sigo... A minha missão e não a deles...

Desesperado, agora observo em volta de mim. Ao meu redor. Alguém que possa me dar uma luz. Diga-me ao menos um caminho! Pois tenho medo e estou sozinho! Em prantos abaixo meus olhos. Nessa hora, uma mão toca meu ombro e quando levanto meu rosto de novo vejo uma luz, uma verdade. Vejo que os grandes, na verdade, estão ao meu redor! Mil perdões às crenças e à história, mas nessa verdade eu posso tocar. Essa verdade me consola sempre. Me apoia e me inspira todos os dias. O que os faz mais gigantescos é que eles nem sabem de sua grandeza, por terem ciência de suas imperfeições. Por não tentarem ser ninguém, nem Deus, nem herói, nem mitologia ou religião. Meus Deus! Eles só buscam ser eles mesmos.

Eles erram e choram. Acertam e gritam. Pessoas comuns que se tornam exceção pelo caminho que optaram trilhar, de luta, honestidade e resignação. Dificuldades? Todos eles tiveram e ainda têm, mas sua fé parece ser inabalável! Sem superpoderes, mediunidade, mágica, nem truques. Os meus gigantes enfrentam tudo com amor, um sorriso no rosto e a certeza de que tudo passa. E se o momento é de felicidade e alegria, venha aprender com eles a celebrar! Celebrar não apenas o que de bom aconteceu, celebrar também a vida e agradecer. Por cada segundo perto de quem os ama, por seus lares e pelo império que construíram. Essa riqueza que quase todos no planeta buscam com afinco, eles tem de sobra e compartilham com quem necessita. Seu bem mais precioso é o amor. E eles sabem disso.

Cada reunião que nós fazemos é uma aula de virtudes! O amor de um pai e a grandiosa obra de ser uma mãe. A maturidade e fidelidade de ser irmão. O carinho de ser tia. A sabedoria de ser mestre. A paciência de ser amigo. O companheirismo de ser amante. A compaixão de ser voluntário. A esperteza de ser malandro. A força de um guerreiro. A inocência de ser criança. A esperança de um trabalhador. A sagacidade de um jovem. A alegria de ser palhaço. A simplicidade de ser você. A perseverança de ser humano. A fragilidade de estar vivo. A delicadeza de ser mulher. A imponência de ser homem. A fé de ser crente. E a certeza de ser do seu tamanho...

Volto e observo a mim mesmo nesse instante e peço silêncio. Fecho meus olhos e vejo a grandiosidade de cada pessoa que pensei ao escrever esse texto e agradeço. Vejo que eles são o que mais preciso, eles são o que eu amo. São meus referenciais para onde quero chegar e hoje olhando para trás vejo o quanto de cada um deles existe em mim hoje. Não se pergunte sobre os seus defeitos, porque como já disse todos eles os têm. No entanto, suas qualidades são muito maiores. Espero aproveitar a grandeza deles e aprender o máximo possível do lado de cada um. Refletindo um pouco, vejo que sou do mesmo tamanho desde quando nasci e do mesmo tamanho desde o início desse texto. Agora, olhando-os fixamente a cada encontro, observando a grandeza de cada um, eu construo uma única certeza: como eu ainda sou pequenininho...

Guilherme Costa
Voluntário [hi]School